Réplica ao Vô Bimbo
Março 19, 2008
Almirante Ponso foi a Flores da Cunha neste final de semana com o nobre intuito de comprar uvas. Podê-las-ia (hs) ter comprado em um mercado qualquer, mas disse eu que o intuito era nobre. E o era pelo fato de meu pai ser produtor de vinho. Dos mais modestos, como ele mesmo faz questão de frisar. O que não o impede de ir em busca do que deve ser a melhor uva do Rio Grande para produção vinícola.

Calma nena. Tio Léo já traz a chucha de vinho.
No domingo, boa parte da família acordou cedo pra Vindima. Na verdade, QUATRO GERAÇÕES da família puseram-se a esmagar os negros grãos da felicidade a partir das oito da manhã. Admito que o processo deveria ter sido realizado com os pés, o que conferiria o status ROOTS ao processo. Mas 150 Kg de uva não merecem o pisoteamento, é uma quantidade considerada pequena. Fomos à luta com as mãos, mesmo.

“Te liga guri, vão roubar mio mosto”
Digo fomos, mas apareci apenas à tarde, eu que estava almoçando com a não menos nobre FAMÍLIA FREITAS. Deu tempo de sujar as mãos, chorar de emoção e tirar umas fotos, às quais compartilho com todos. Creiam, há algo de mágico no processo de reunir a família em torno de um ritual que faz parte de uma tradição ancestral e que envolve a produção artesanal da mais nobre bebida inebriante de que se tem notícia. Estou de mal comigo mesmo por não ter participado do processo todo, mas folgo em saber, principalmente vendo estas fotos, que terei chance não apenas de presenciar o processo muitas vezes mais como também de levá-lo adiante.
Outro dia eu conto a história do suntuoso nome com que meu pai alcunhou seu vinho.

Março 19, 2008 at 2:20 am
Não me recordo de fazer cuca nem encher morcilha com a alemoada, mas lembro que quando tinha 8 anos me fascinava ver um porco pendurado pela boca no galpão e meia dúzia de “grossos” retalhando a gordura do animal enquanto o toicinho (bacon, para a geração fast-food) fritava antes de virar torresmo.
Reserva 1 litro desse Cabernet Sauvignon para o próximo inverno!
Março 19, 2008 at 2:31 am
Só se tu comprar uma casa com lareira. No mais, esses guri de hoje em dia não conhecem essas coisas de homi. Só querem saber de matar monstrinho na TV.
Muita honra, Alemão, comente seguido.
Março 19, 2008 at 2:52 am
eu moro numa casa com lareira! posso ter a honra de tomar o vinho feito pelas mãos da família Ponso?
Março 19, 2008 at 4:36 pm
Só se tu promover uma macarronada.
Março 19, 2008 at 4:52 pm
Eu aqui do Rio de Janeiro invejei…mas consigo, juro, sentir o cheiro da uva, o nervosismo eufórico do pai, a voz alta da Bebel e a maturidade da Lalá, a uva que fatalmente iria cair no cabelo do estabanado do Matteo…eu senti tudo! Eu ainda estou aí! Eu esmaguei cada grãozinho de uva em pensamento! Só que foi aqui…na praia de Ipanema, olhando pro mar azul, tomando água de côco…Muito sofrida…aí veio o pôr-do-sol…o queijo de coalho…e fui me confortando…pois ainda sou a filha preferida e seeempre terão muitas garrafas de Euganeos Extensis reservadas pra mim…né pai? Salve a Vila Jansen!!!
Março 19, 2008 at 4:57 pm
Sai fora, alemoa, Ipanema fede. E não era pra entregar o nome assim sem explicação. Beijo pra ti, sua inconveniente.
Março 19, 2008 at 5:30 pm
Opa! Tô entrando no bolão do vinho hein…ofereço uma carne assada!
Março 20, 2008 at 2:55 am
Codindeo, s.m. (neologismo do dialeto italiano originário de “porco dio”)Ato de blasfemar de forma camuflada; expressão idiomática da região serrana riograndense; que não é belo; ato ou efeito de frizar um descontentamento; p. us.:palavra proibída pela Vó Cloti.
Março 20, 2008 at 4:25 pm
agradabilíssimo o comentário do schröder. mandando bem como sempre.
Março 20, 2008 at 5:40 pm
A combinação de camisetas certamente tá melhor que o vinho.
Março 20, 2008 at 7:42 pm
Como sou sem-noção e não sei brincar, minha oferta em troca de alguma(s) garrafa(s) preenchidas com o resultado líquido de tom violáceo, amadeirado e toques Pônsios desse trabalho artesano-ancestral é uma bunda de boi à beira do estuário, com direito a pôr-de-lua, viola e pôquer Texas Hold’em. Na companhia dos comparsas, por supuesto.
Opa.Pode bater o martelo, magrão.
ps.: As meninas trabalhando no processo merece um quadro.
Março 22, 2008 at 9:05 am
A toalha de Cantina Italiana deu um toque especial as fotos…
Un Baccio,
Gabi
Março 25, 2008 at 6:24 pm
Muito bom este paralelo de comentários de amigos e familiares, estes últimos percebem todas as sutilezas do processo, as manias, os gostos, os cheiros… isso é muito pessoal, minha parte egoísta e “romana” não gostou desta exposição na web…só estou sendo eu mesma…insúpor…mi dispiace.
Março 27, 2008 at 10:36 pm
Minha família é uma merda.
Sem mais.
=P